Olá, leitores 💜
Estou iniciando uma lojinha no Mercado Livre de artigos de papelaria e para começar bem, vou realizar esse sorteio.


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Após o término do sorteio, o vencedor deverá fornecer o seu endereço completo e aguardar o prazo de 90 dias para entrega.




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Acho que nauseante define bem a história de Jantar Secreto, livro de Raphael Montes, depois da leitura fica até difícil saborear uma boa refeição  sem sentir o estômago revirando ao lembrar das descrições dos matadouros e pratos servidos nesses jantares secretos.
Tudo começa com os amigos Dante, Hugo, Miguel e Leitão que saem de sua pequena cidade Pingo dÁgua para cursar faculdade no Rio de Janeiro, eles passam um tempo se virando, mesmo com algumas dificuldades financeiras em meio à crise do país.. Até que um dia Dante é procurado pelo corretor do apartamento em que eles moram porque o aluguel está atrasado em seis meses. Os amigos passavam o dinheiro para Leitão e ele fazia o pagamento, mas há seis meses gastava o dinheiro com a namorada. 

Leitão tem uma história complicada, ele perdeu a mãe na infância, mas finge que ela está viva, é muito obeso, mas não faz nenhum esforço pra mudar isso, passa os dias comendo e jogando online, desistiu logo da faculdade, ganha dinheiro em pequenos golpes online. Ele começa a namorar uma garota de programa que os amigos contrataram como presente de aniversário pra ele, Cora, uma prostituta que quer ser poeta.
Com a crise, eles estão perdidos sem ter como repôr o valor do aluguel. Dante fez administração, mas trabalha como livreiro, é o único que teria como pedir ajuda dos pais, mas se recusa, Miguel faz medicina e gasta seu pouco dinheiro com o tratamento da mãe com cancêr, Hugo é um chef de cozinha esnobe, mas não tem reconhecimento.
Uma vez Dante contou uma história sobre um homem que comeu a carne da própria esposa pensando que era carne de gaivota. Lembrando dessa história surge a ideia de fazerem um jantar secreto de carne humana, oferecem na internet e na mesma hora muitas pessoas ricas se interessam. A ideia é fazer apenas um jantar com um corpo roubado no hospital em que Miguel trabalha. Mas as coisas vão aumentando de proporção, muitos se interessam, um sócio misterioso aparece e exige que eles não parem os jantares, o dinheiro e os elogios fazem a cabeça de alguns. 
A cada jantar mais ricos entram na lista de espera e os que já provaram não conseguem parar de ir, mais corpos são necessários e a a trama se torna ainda mais macabra, segundo o sócio Umberto, o paladar humano é o sentido mais importante, que comenda as pessoas, ninguém pensa na crueldade que os animais precisam sofrer para satisfazer nosso paladar e a partir do momento em que as pessoas provam a carne humana e percebem que é a melhor de todas também não se importam que o animal sacrificado seja o humano.
Não sei se o escritor é vegetariano, mas é algo a se pensar. Não é um livro para estômagos fracos. O plot twist não me pegou porque eu imaginei isso desde cedo, mesmo assim foi interessante ler o desenrolar. Provavelmente não leria de novo , não tenho sangue frio o suficiente e tive que pular algumas descrições minuciosas demais dos 'saborosos' pratos. Quem for ler, esteja preparado para perder o apetite por um tempo.

Jantar Secreto - Raphael Montes


"Aos dezenove anos é normal querer salvar o mundo, se sentir perdido na vida e ter que contar o dinheiro para pagar uma garrafa de cerveja — tudo isso ao mesmo tempo."



"Todo escritor que reclama de falta de tempo deveria matar alguém e curtir uns anos em cana. Dá para escrever uma obra maior do que a de Agatha Christie."



"(as pessoas eram tão difíceis), muitas vezes ia até o jardim e extraía de suas flores uma paz que homens e mulheres nunca lhe davam."


Depois que você cai, repetiu Septimus consigo mesmo, a natureza humana parte para cima de você."

"Conseguia raciocinar; conseguia ler, Dante por exemplo, com toda a facilidade (“Septimus, deixe o livro”, dizia Rezia, fechando delicadamente o Inferno), conseguia somar a conta; o cérebro estava perfeito; então devia ser culpa do mundo – que não conseguisse sentir."

Mesmo assim, o sol era quente. Mesmo assim, a gente superava as coisas. Mesmo assim, a vida arranjava um jeito de somar um dia ao outro."





Li uma mensagem falando para as pessoas não se chatearem quando são procuradoas apenas em casos de necessidades, pois se isso acontece você é a última luz de esperança na vida de quem procura. Não penso bem assim, todos nós precisamos de uma luz, mas alguns indivíduos estão na sua vida apenas para lhe tirar o brilho.
São os sugadores, você ajuda uma, duas vezes, e a pessoa automaticamente lhe tem como garantido. Não precisa fazer nenhum esforço na vida, basta buscar tudo o que precisa em você. Bom dia, como vai, precisa de alguma coisa, são expressões que não existem para essas pessoas. É uma via de mão única, eu preciso, eu quero, você pode, estou com um problema, eu, eu, é tudo que existe para essas pessoas.
Não é só porque podemos que devemos ser sempre a luz na vida de quem não se importa quando estamos na escuridão. Não é porque podemos que temos obrigação de atender quem não nos valoriza. É preciso também dizer não, porque eu não quero, porque eu não posso, porque eu mereço reciprocidade. Porque ninguém merece carregar o seu peso e o dos outros.



Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser. ”Entendem? Valia mais do que me dar o livro: pelo tempo que eu quisesse ” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.

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Eu adoro dar uma fugidinha de casa. Não que a vovó não condene esse ato e me dê muitas broncas. Mas um gato precisa conhecer o mundo. Não o mundo inteiro, eu quero dizer a minha rua. Tenho muito trabalho aqui fazendo cara feia para gatos intrusos e até cachorros. Todos temem o leãozinho aqui, é só eriçar meus pelos e eles saem correndo.
Nessa rua onde sou o leão há uma casa bem maior do que a minha, onde sempre vejo alguns pequenos humanos. É claro que eles se apaixonaram por mim. Nessa casa mora Breno, um garotinho gordinho que adora ficar alisando meu pelo.
- Vem cá, bola de pelo, você quer morar na minha casa?
Ela fala acarinhando, faço charme, deito de barriga pra cima e dou umas mordidas só de eleve porque ele ainda parece uma espécie de bebê humano.
- Ei, Belé, você quer ser meu gatinho?
Por mais que o carinho esteja bom, sei que tenho que voltar pra casa correndo porque se a vovó me pega aqui fora, vou ouvir um sermão sem fim. Ela é a melhor humana do mundo, mas é muito protetora.
Logo quando Breno ia dividir comigo seu saboroso salgadinho, vejo o portão da minha casa se abrindo.
- Vem, Mingau! Quantas vozes falei pra você que não pode ficar na rua? Ah, bom dia, Breno!
Preparei uma cara de fofo para ser desculpado enquanto ele falava:
- Bom dia, dona Maria, eu queria tanto um gatinho assim. Eu sempre brinco com o seu gato. Ele é tão gostoso de alisar e apertar!
Muito bonito! O garoto entregou o meu segredo sobre as minhas saidinhas!
- Ah, que pena! Os irmãos do Mingau já foram doados, eu ofereci a sua mãe, mas ela não pôde ficar com nenhum. Infelizmente um gato não seria aceito em sua casa.
- Pôxa,mamãe e sua mania de que animais fazem mal! Mas eu queria que o Belé fosse meu! Desculpe, eu chamo ele de Belé, ele tem cara de Belé!
Os humanos fazem uma confusão com meu nome, primeiro eu pensei que meu nome era Não! Depois Desde daí! Agora eu entendo que essas palavras fazem parte das broncas. Minha vovó sorriu quando eu deitei novamente para ter minha barriga acariciada.
- Ei, ele está feliz, ele gosta do nome que você deu. Parece que vou ter que chama-lo de Belé também. Vamos fazer um rato, de vez em quando você pede a sua mãe pra vir ficar com o Belé aqui em casa, assim ele fica sendo um pouquinho seu também.
Adora eu tenho dois humanos, o pequeno humano ficou muito feliz e sempre vem me ver, a vovó fica toda animada, coloca um desenho na tv, ele joga bolinhas pra mim e temos momentos muito divertidos! 

(Daniele C.S)