Será que se fizermos um balanço da vida a maioria de momentos será de felicidade ou escuridão? Algo me diz que para quase todas as pessoas a resposta é a escuridão, mortes, doenças, miséria, empregos deprimentes, crises existenciais. No meio de tudo isso, os momentos realmente felizes são uma trégua na guerra que é a vida.
Assim também pensa o personagem Martín Santomé narrador do livro A trégua, em uma espécie de diário o senhor de 49 anos, prestes a se aposentar fala de sua viuvez precoce, que o deixou com dois filhos homens, Esteban e Jaime, e uma moça, Blanca. Ele conta os dias até a sua aposentadoria quando poderá desfrutar o ócio.
Sua vida monótona no escritório é aos poucos quebrada quando da chegada de uma nova funcionária sob suas ordens.
Avellaneda é uma jovem de 24 anos, quase a idade de Blanca, descrita como uma moça séria, recém terminando um noivado, os dois têm um interesse mútuo, apesar da grande diferença de idade.
O narrador não tem uma forte ligação com os filhos, apesar de tê-los criado sozinho, admite que pode não ter sido tão afetuoso como uma mãe ou como outros pais. Não tem grandes ambições no trabalho, só lhe interessa os dias de sossego que virão com a aposentadoria.
Avellaneda significa os dias de trégua em sua vida, mesmo que lhe venha o medo de que a situação seja ridícula, de que ela passe a se interessar por outro quando ele já estiver muito velha e ela ainda muito nova.
É um personagem realmente medíocre sem grandes encantos, sem grande empatia, mas sua humanidade é de certa forma cativante como alguém que já está cansado das frivolidades da vida.
Esse é meu primeiro livro de Mario Benedetti  e fiquei muito bem impressionada com sua escrita, um livro para leitores maduros e que não esperam grandes aventuras e enredo muito movimentado.









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