Jardim de inverno - Kristin Hannah

by - dezembro 01, 2018

Jardim de inverno é um livro sobre a relação de uma mãe com suas filhas. Na verdade é muito mais do que isso, por isso, eu gostaria de avisar que essa postagem conterá spoilers porque eu realmente preciso falar muito sobre ele.
Primeiramente conhecemos as irmãs Meredith e Nina, seguindo a ideia da irmã mais velha Meredith elas ensaiam uma peça baseada em um conto de fadas contado pela mãe para ser presentado para os convidados no Natal.
Parece algo de uma família normal, mas isso é tudo o que elas não são, a ideia da peça foi uma tentativa de agradar a mãe, que acabou saindo ao contrário. Mamãe Anya é uma mulher muito fria com as filhas, elas não sabem nada sobre a mãe, nem sequer a idade ou data de aniversário, a única hora em que a mãe fala com elas é quando conta o conto de fadas sobre uma camponesa que se apaixona por um príncipe.
O pai é o elo de ligação entre as três durante a vida inteira. Meredith se casa com o garoto com quem ensaiou a peça, eles têm duas filhas na faculdade, ele é escritor e ela lidera os negócios da família, Nina se torna uma fotógrafa de guerra e está sempre viajando para lugares tristes e perigosos, ela tem uma ligação forte com outro jornalista chamado Danny, mas não pensa em formar raízes em um lugar ou relacionamento.
Anya continua uma pessoa distante, ela tem um jardim de inverno onde vai sempre, principalmente quando está muito frio e não se preocupa com o frio ou com a neve, nada parece afetá-la enquanto está lá.
As três acabam tendo que conviver novamente quando o pai está em estado muito grave no hospital, ele sempre foi o lado amoroso da família, a quem as meninas podiam contar seus problemas e com quem sentir-se amadas, mas está muito mal e pede que Meredith cuide da mãe. Após o fiasco da peça, ela promete a si mesma nunca mais ouvir o conto de fadas ou tentar agradar a mãe. As filhas desistem de conquistar o amor da mãe e conhecendo cada uma o pai faz pedidos para que isso mude, ele pede a Nina que insista para escutar a história até o fim porque tudo que a mãe tem contado é uma parte resumida.
O livro tem tantos detalhes, mas nunca se torna chato ou cansativo, você sempre tem um mistério para desvendar e sempre precisa saber o que vai acontecer em seguida.
Meredith tem problemas em seu casamento com Jeff, ela não consegue falar de seus sentimentos e às vezes teme estar se transformando em sua mãe. Nina vê situações desumanas onde mulheres e crianças sofrem com guerras, ela não pode imaginar que o conto de fadas tem relação com sua profissão e os lugares que visita. Pois o livro trata de um episódio desolador da história que foi o Cerco
a Leningrado.



O cerco a Leningrado, que aconteceu de setembro de 1941 a janeiro de 1944, foi uma das batalhas-símbolo do confronto entre a Alemanha nazista e a União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial e foi caracterizada pela violência e pela alta mortalidade. Esse cerco feito pelo exército alemão durou quase 900 dias e privou o acesso da população à água, energia e, principalmente, comida, o que resultou em mais de 1,5 milhão de mortes, entre civis e militares.A Operação Barbarossa, que iniciou o ataque à União Soviética em junho de 1941, foi desastrosa para os soviéticos. Em questão de meses, o exército vermelho acumulava derrotas e mortes, e o avanço dos nazistas parecia inevitável, a ponto de o exército alemão ter conseguido ficar a 40 quilômetros de Moscou, capital da Rússia. Entretanto, a resistência soviética conseguiu afastar os alemães da capital russa, o que fez os alemães, então, voltarem-se a outras importantes cidades: Leningrado e Stalingrado.
Naquela época, Leningrado era um importante centro industrial soviético; além disso, sua captura seria um golpe muito grande para o moral do exército vermelho. O bloqueio alemão iniciou-se oficialmente em 8 de setembro, e a cidade ficou completamente cercada pelas tropas nazistas: ninguém entrava nem saía.A princípio, o exército soviético esperava um ataque alemão sobre a cidade, entretanto, os objetivos dos nazistas eram outros: deixariam Leningrado morrer de fome. Ao longo dos quase 900 dias, os relatos contam o sofrimento da população sitiada para obter comida e água e o desespero em meio ao frio, epidemias e mortes. No auge do cerco, estima-se que cerca de 20 mil pessoas morreram diariamente em Leningrado|1|. A comida tornou-se escassa, e a população dessa cidade chegou a receber menos de 100 gramas de alimento por dia. Para conseguirem alimentar-se, as pessoas fizeram de tudo:
passou-se a ferver papel de parede para extrair sua cola e a cozinhar e mastigar o couro. Conforme o escorbuto se tornava endêmico, produzia-se um extrato de pinho a partir de agulhas de pinheiro para se obter vitamina C. […] Pombos desapareceram das praças, caçados como alimento, assim como corvos e gaivotas; depois, ratazanas e animais de estimação.|2|
Além da fome, a população teve de suportar o frio – que chegava a trinta graus negativos no inverno–, pois não havia energia elétrica para ligar os aquecedores depois de os alemães terem destruído as redes de transmissão. A água, muitas vezes, também estava contaminada, e, em meio ao desespero por alimento, registravam-se casos de canibalismo.
O cerco só foi quebrado em janeiro de 1944, com o recuo das tropas alemãs, que, a partir de meados de 1943, entraram em colapso total e começaram a ser derrotadas pelo exército vermelho.
(Retirado do site Mundo Educação:https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historiageral/cerco-leningrado.htm)

Sem o pai por perto, Meredith e Nina precisam penetrar o muro construído pela mãe de 81 anos para poder cuidar dela e ouvir o conto de fadas até o fim. Na jornada elas vão descobrir que nem tudo é o que parece e que a indiferença pode ser um meio de proteção.
Como eu adoro livros que citam outros livros ou autores, quero destacar que os livro cita alguns textos de Anna Akhmátova, que foi uma das mais importantes poetisas russas.
É um livro emocionante para chorar até a última página de verdade, com um estilo de escrita que faz você querer ler até a lista de compras da autora. Assim Kristin Hannah entra minha lista de autores que quero ler todos os livros.

Recomendo: Muito
Classificação etária: Acima de 14 anos


Quotes

"E talvez assim as coisas devessem ser, a forma como a vida se desdobra quando você a viveu o suficiente. Alegria e tristeza eram parte do pacote; o truque, talvez, fosse permitir-se sentir tudo, mas agarrar-se à alegria um pouquinho mais, porque nunca se sabe quando um coração forte pode desistir."


"Se havia uma coisa que ela aprendera com tudo isso era que a vida — e o amor — podem acabar em um segundo. Quando você os tem, precisa se agarrar a eles com toda a força e saborear cada segundo."

"Como qualquer mulher poderia conhecer sua própria história sem conhecer a história de sua mãe?"

"Cada um carrega as próprias dores durante a vida toda. Não há como escapar. "

"Talvez eu seja como uma avestruz ou um pássaro dodô. Fiquei no chão tanto tempo que perdi a habilidade de voar."

"Ser jovem não tem nada a ver com amor. Uma mulher pode ser uma menina e ainda assim conhecer o próprio coração."

"Cada escolha mudava a estrada pela qual se seguia e era fácil demais terminar indo na direção errada."

"Havia perdido demais de si mesma criando as filhas para simplesmente voltar a ser quem era antes."

"Ele ficou esperando por ela, assim como ela ficou esperando por ele. Tamanha sorte parece impossível, um pouco de ouro encontrado na estrada poeirenta de sua vida."


"Vou beber a isso — Nina disse. — Você bebe por qualquer motivo. — É verdade. É uma das minhas qualidades."

"Eu não sei com que sonhar — Vera diz. — Parece tudo tão impossível."

"Talvez pensasse que o tempo era mais elástico, ou o amor mais capaz de perdoar."

"Você pode fazer tudo certo — Meredith disse calmamente —, e ainda assim terminar com tudo errado. E sozinha."

"Ficou imaginando quanto tempo duraria essa súbita onda de tristeza. Será que um dia ela submergiria?"

"E, além do mais, não era o tipo de mulher que falava sobre seus problemas; esse não era exatamente um dos motivos de estar sozinha agora?"

"A dor física era tão mais fácil de lidar do que aquela dor no coração. "

"Ela cruzou os braços com força, tentando se controlar. Era como se ultimamente pedaços de sua alma estivessem caindo, como se tivesse alguma espécie horrível de lepra espiritual."

"Apoiar-se nos outros em busca de conforto nunca fora natural para ela. A última coisa que queria era dar a alguém o poder de machucá-la."






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