Judas, o obscuro - Thomas Hardy

by - junho 14, 2019

Eu tenho uma vaga impressão de que as pessoas muito apegadas a livros e estudos têm uma tendência a criar mais expectativas sobre a vida e consequentemente se tornam mais frustradas do que aqueles que não têm grandes sonhos. A história de Judas, o obscuro, livro de Thomas Hardy, com tradução de Octávio de Faria, me parece um exemplar disso. Desde pequeno, Judas admira a inteligência e ambição de um professor e pensa que deve estudar muito para mudar de cidade, entrar na universidade e de tornar importante. Embora o pobre menino não tem como estudar, não há escola já que o único professor vai embora, ele tem que ajudar a tia na padaria e mal consegue alguns livros para estudar línguas clássicas.
Mesmo com todas as dificuldades, Judas não esquece os sonhos, passa a adolescência entre os livros, mesmo tendo que trabalhar muito, lembra do conselho do professor de ser sempre bom, especialmente para os animais e os passarinhos. 
É uma época em que os pobres não podem nem sonhar em mudar de vida e ele algumas vezes é até ridicularizado por querer ir para Christminster City, lugar de universidades e igrejas importantes.  Ele sofre muitos golpes da vida, mas provavelmente o mais terrível é o casamento precipitado com Arabella. A moça só tem interesse em conseguir um marido e usa de todos os seus artifícios para isso, mesmo não havendo grandes sentimentos.
Judas praticamente não tem família, além da tia, mas depois encontra sua prima Sue. Há um pensamento de Sue que percorre todo o livro, parece que o mundo é contra eles, todos os sonhos, sentimentos que eles nutrem acabam sendo destroçados de forma cruel.
Sue também é vítima de um casamento sem amor, de exigências e críticas infundadas do século XIX sobre a obrigação de se manter um casamento, mesmo infeliz, onde a religião é uma forma de oprimir ainda mais as pessoas.
Judas, o obscuro é um livro muito pessimista, alguns acontecimentos são realistas, mas outras passagens chegam a ser tristes demais para serem imaginadas como próximo do real, embora possa haver casos!


"Parecem perceber os horrores da vida, antes de terem forças para suportá-los. Diz ele que é o começo de um desejo universal de não viver."

"“Aquele (ou aquela) que deixa o mundo ou os poucos que o rodeiam decidir por ele como deve viver, não tem necessidade de nenhuma outra faculdade, a não ser da faculdade simiesca da imitação.” São palavras, essas, de Stuart Mil."

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